quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Eu queria bagunçar seus cabelos e colocar meu corpo junto ao seu. Mas você é meio viadinho...

Droga da vida,

Eu não posso deixar que minha maré de frases se esgote, muito menos trocá-las por duas ou três palavras: meio ditas, meio subentendidas. Com mais livros, com mais letras, mais orações, junções e conjunções. Crônicas, contos, poesias, poetas, sonhos. Com mais vida. Eu queria fazer com que todos, cada um, sem exceção, tivesse uma overdose, se picasse com o líquido preto do tinteiro e começasse, desesperadamente, tentar se livrar, extravasar no papel tudo aquilo que quer, que pensa, que acha e que diz. Talvez mais ainda, aqueles sonhos mais solitários e escuros. Aquelas ideias mirabulosas, não aceitas por ninguém. Aquele segredo mais íntimo. Tudo pode virar farsa, ficção, história, e ao mesmo tempo ser real, verdadeiro.
Façamos com que o mundo deixe de ser essa pobreza literária em que vampiros brilham e só podem ser mortos se cortados em pedacinhos e queimados. Façamos obras de arte. Sejamos todos melhores. Façamos tudo como quisermos. Briguemos! Exijamos que tudo(!), tudo(!), tudo(!) vire realidade, e que sejamos os melhores. A geração pródiga e tanto esperada. Vivamos e provemos que somos capazes!

Amendoim e cama,

Ela descascava os amendoins com a mesma velocidade que os jogava goela’ baixo. Era mais fácil fazê-los descer com a cerveja.
Não importava muito os olhares voltados, e nem aquele cara no canto do bar fumando um, porque se importar? A vida era dele, se ele queria estragar tudo, ou se divertir, tanto faz.
Afinal, se ela estava se sentindo mal, tudo era sua culpa, dizer que o erro foi da outra, 'ah, foi mesmo!' ela queria gritar. Mas até onde ia a razão, não ia. Aquela história toda era irracional.
Porque se importar com algo que mal começou, que... que... era ilusão.
Mas o ego, o ego dava agulhadas em suas costelas fazendo-na sentir cada vez mais incapaz de dizer um 'eu te desculpo'...
então ela continuou mastigando os amendoins, e continuou bebendo cerveja.
Se levantou e foi para casa.
- Olá
- Oi, tá tarde.
- É, eu sei - Ela não sabia, não importavam as horas, ela não lembrava muito bem quem era o cara com quem falava: ela estava com sono e sua visão tornara-se turva.
- Vou dormir.
Ela deitou e não esqueceu nem lembrou nada: nem porque fora ao bar e nem quem era o maldito colega de casa.
Era assim, ela não se lembraria.
Ela fechou os olhos novamente e descansou.

Respeito,


love who you want to love, be you!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Fruto proibido

Sou muito exigente quanto a maçãs e um tanto quanto desleixada com os saquinhos plásticos - confesso.
Minha mãe sempre me manda pegar as frutas, e, sabe... Laranja, mamão, manga, vai... Mas a maçã... Ela precisa ser fuji, a gala é insossa e, dentre a que eu escolher, pego as mais feinhas, são as com menos fertilizantes e as mais saborosas e doces. Eu devo perder uma boa meia hora lá, em frente a plaquinha de preço por quilo, procurando maçãs, tiro todas e pego as do fundo, ou não. Procuro as mais 'menos bonitas' e parece um processo sagrado esse procura-e-acha de fruta. Escolhidas, eu sorrio.
Chegando em casa: nada de cuidados. Rasgo plastiquinho por plastiquinho com prazer, sem dó. Eles depois fazem falta, são também sacos de lixo, são mais práticos. Mas na hora de desfazer os nós, tirar as frutas, dobrá-los... Cadê a praticidade?
Então fico assim: com muitas maçãs e nenhum plástico.
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cinco letras.

Ela sorri. Ela nasce. Ela fala que fala, e ri.
Ela cai e levanta.
Ela sorri.
Fala, fala, nasce e ri.
Julia:
Julia Maria,
Julia prima,
Julia irmã.
Julia essa amiga.
Pré disposta, pró ativa.
O futuro a Deus pertence.
E ela ali... não se importa: sorri.
Chuva, sol, chuva e tempestade.
Sempre ali.
Julia:
Julia Maria,
Julia prima,
Julia irmã.
Julia essa amiga.
Você pensa que conhece,
o mundo que lhe entorna, e daí...
Nada como uma Julia.
Julia que canta, e que dança e que brinca.
Que não faz nada: é criança!
Julia:
Julia de pai, Julia de mãe e Julia de fé.
Ela sabe da vida, ou não:
só imagina como é.
Ela canta, ela dança e ela brinca.
E eu olho.
Ela cresce.
Eu já cresci.
Julia:
Julia Maria,
Julia prima,
Julia irmã.
Julia essa amiga.
Ela sorri. Ela nasce. Ela fala que fala, e ri.
Ela cai e levanta.
Ela sorri.
Fala, fala, nasce e ri.
Julia ao lado, Julia aqui.